Vacinação sem agulha, aplicada via microporos, protegeu camundongos contra o câncer

Cientistas franceses desenvolveram um novo método de vacinação que não precisa de agulhas nem de qualquer outro adjuvante. A vacina é aplicada usando-se um laser que gera microporos na epiderme. Desta maneira, camundongos foram protegidos com êxito contra melanoma, relataram os pesquisadores no “The Journal of Immunology”.

A equipe INSERM em Marselha teve como objetivo atacar especificamente a densa rede de células dendríticas na epiderme, já que essas são as guardiãs do sistema imune. A ativação dessas células deveria provocar uma forte resposta imune. Para tanto, os médicos desenvolveram uma vacina especial que é baseada no antígeno que está localizado na superfície de células do melanoma. Eles os parearam com a molécula XCL1, que se liga especificamente a um receptor na superfície de células dendríticas na epiderme.

Com o auxílio de um dispositivo a laser, que é comumente usado para finalidades médicas em humanos, os pesquisadores geraram microporos na camada externa da epiderme dos animais. Isso possibilitou a aplicação tópica da substância da vacina.

Os estudos foram conduzidos em camundongos saudáveis e em camundongos com melanoma. Com a ajuda deste método, a progressão do tumor foi interrompida em animais com melanoma, e camundongos saudáveis foram protegidos do câncer em desenvolvimento, apesar de terem recebido injeções com células tumorais.

Assim, a vacina poderia ser eficaz tanto como medida preventiva, quanto terapêutica, afirmaram os pesquisadores. O laser pode causar uma inflamação local mínima, que ativa o sistema imune. O uso deste método para combater patógenos virais ou bacterianos também pode ser concebível.

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