EXISTE MODULAÇÃO HORMONAL?

O ser humano produz uma série de diferentes hormônios, que são substâncias responsáveis por várias ações diferentes, desde a regulação do metabolismo (consumo de energia), controle da pressão arterial e dos minerais, à maturação do organismo e desenvolvimento sexual. A produção destes segue um padrão bem definido e conhecido em cada etapa da vida. Portanto, é natural que a quantidade de hormônios seja diferente em diferentes fases da vida.
A busca pela beleza corporal ou de se evitar os efeitos do envelhecimento tem trazido muita discussão sobre o uso de hormônios. Existe a ideia de que se usarmos hormônios poderemos mudar o destino do nosso organismo. No entanto, não é isto que a medicina baseada em evidência tem mostrado. E hoje em dia, com toda a tecnologia que existe, não é concebível que a medicina não trilhe a linha da ciência e das boas práticas clínicas. Ou seja, não seria adequado nos basearmos unicamente na experiência de um ou outro caso clínico, sem ter estudos grandes, e bem conduzidos mostrando algum resultado.
A especialidade médica, endocrinologia e metabologia, é quem estuda esta área. E temos evidência que as reposições hormonais devem ser feitas às pessoas que apresentem deficiência comprovada dos hormônios. Porém, hoje virou rotina usar testosterona para as mulheres, corticoide alegando “fadiga da glândula adrenal”, uso de hormônio de tireoide e iodo para pessoas com exames normais da tireoide, com a alegação de melhorar o metabolismo, testosterona e hormônio de crescimento para melhorar a performance muscular e evitar envelhecimento.
Infelizmente o que estamos vendo é um aumento de solicitação de exames sem necessidade (e isto tem um alto custo financeiro), tratamentos inadequados com comprometimento do organismo (não podemos esquecer que tudo isto tem um preço a ser pago). Este preço pode ser tão simples como acne e aumento de pelos, até o engrossamento de voz em definitivo em mulheres, infertilidade nos homens, e risco de doença hepática (fígado) e arterial (aterosclerose). Risco de câncer, diabetes e osteoporose, dependendo do tipo de hormônio que se usa.
Assim, não existe modulação hormonal. E quando houver deficiência comprovada clinicamente e laboratorialmente, a reposição hormonal deve ser feita com orientação. Boa alimentação, atividade física regular, não fumar, evitar-se estresse acentuado, e dormir bem são recomendações básicas para a qualidade de vida!

Publicado no Jornal A Notícia de 02/08/2016 – Caderno Opinião