AAS funciona?

Os autores de um novo estudo afirmam que doses baixas de aspirina não oferecem qualquer benefício na prevenção primária de doenças cardiovasculares no diabetes e que, na verdade, é mais provável que façam mal.
O estudo japonês observou que a terapia com baixas doses de aspirina não reduziu a incidência de eventos cardiovasculares em 2.160 pacientes com diabetes tipo 2 e nenhuma doença cardiovascular preexistente, acompanhados durante dez anos. Além disso, apesar de não ter havido um aumento na incidência de AVC hemorrágico com a terapia com aspirina, houve um aumento dos casos de sangramento gastrointestinal. Depois de ajustar para idade, hipertensão e uso concomitante de medicamentos para úlcera, a aspirina em baixas doses mais do que duplicou a incidência de sangramento gastrointestinal.

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (U.S. Preventive Services Task Force, USPSTF) recomendou, recentemente, a terapia com aspirina em baixas doses na prevenção primária de eventos cardiovasculares em adultos entre 50 e 59 anos de idade com um risco de 10% ou mais de doença cardiovascular em dez anos, e sem risco aumentado para sangramento. Contudo, os autores deste último estudo afirmam que, com base na ausência de eficácia cardiovascular acoplada a um maior risco de sangramento gastrointestinal, a aspirina em baixas doses não é recomendada para pacientes com diabetes tipo 2 na ausência de doença aterosclerótica cardiovascular prevalente.
Resta observar se estudos internacionais atualmente em andamento confirmarão estes achados.